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	<title>Descascando a Ciência, Autor em INCT CITROS</title>
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	<description>Plataformas de genômica comparativa, funcional e melhoramento assistido de citros</description>
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		<title>Citricultura brasileira: da origem ao presente e os caminhos para o futuro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Descascando a Ciência]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 May 2026 11:22:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
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					<description><![CDATA[<p> INCT Citros III um projeto estratégico para garantir que o Brasil continue sendo o maior produtor e exportador de laranja do mundo.</p>
<p>O post <a href="https://inct.iac.sp.gov.br/citricultura-brasileira-da-origem-ao-presente-e-os-caminhos-para-o-futuro/">Citricultura brasileira: da origem ao presente e os caminhos para o futuro</a> apareceu primeiro em <a href="https://inct.iac.sp.gov.br">INCT CITROS</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A citricultura brasileira não ocupa uma posição de liderança mundial por acaso. O país construiu, ao longo de décadas, uma base produtiva sólida, sustentada por ciência, adaptação e inovação constante. Nesse contexto, o INCT Citros III é um projeto estratégico para garantir que o Brasil continue sendo o maior produtor e exportador de laranja do mundo.</p>
<p>A continuidade da pesquisa e desenvolvimento de tecnologias fica ainda mais evidente quando observamos o momento atual da citricultura.</p>
<p>Em 2026, o setor vive uma combinação de pressão e oportunidade. Ao mesmo tempo em que mantém sua liderança global, enfrenta mudanças profundas no ambiente de produção, que exigem respostas cada vez mais integradas e baseadas em conhecimento científico.</p>
<h3 class="wp-block-heading">Da Ásia ao Brasil: a trajetória da laranja</h3>
<p><img decoding="async" class="wp-image-6675 alignright" style="width: 299px;" src="https://inct.iac.sp.gov.br/wp-content/uploads/2022/11/INCT-CITROS-Blog-imagem-generica-2.jpg" alt="Laranjas" height="158" srcset="https://inct.iac.sp.gov.br/wp-content/uploads/2022/11/INCT-CITROS-Blog-imagem-generica-2.jpg 850w, https://inct.iac.sp.gov.br/wp-content/uploads/2022/11/INCT-CITROS-Blog-imagem-generica-2-300x159.jpg 300w, https://inct.iac.sp.gov.br/wp-content/uploads/2022/11/INCT-CITROS-Blog-imagem-generica-2-768x407.jpg 768w" sizes="(max-width: 850px) 100vw, 850px" /></p>
<p>A partir dessas espécies, diferentes cruzamentos naturais deram origem às variedades que conhecemos hoje. A laranja doce, por exemplo, surgiu de forma espontânea a partir do cruzamento entre a toranja e a tangerina, sem interferência humana. Esse entendimento só foi possível com o avanço das pesquisas genéticas e o sequenciamento do genoma das plantas cítricas.</p>
<p>Com o tempo, os citros foram sendo levados para diferentes regiões do mundo. Da Ásia, chegaram ao norte da África e, posteriormente, à Europa durante a Idade Média. Foi nesse processo de expansão que a laranja chegou ao Brasil, por volta de 1530, trazida pelos portugueses.</p>
<p>Na época das grandes navegações, a laranja era vista como uma importante fonte de vitamina C, ajudando a combater o escorbuto entre os marinheiros. Com a divisão do território brasileiro em capitanias, na década de 1530, começaram a surgir as primeiras plantações, especialmente na região de São Vicente, no atual estado de São Paulo.</p>
<p>Esse foi o início da citricultura brasileira, que ao longo dos séculos se consolidaria como uma das mais importantes do mundo.</p>
<h3 class="wp-block-heading">Construção de um setor produtivo e os primeiros desafios</h3>
<p>O desenvolvimento da citricultura no Brasil não ocorreu de forma linear. Ao longo da sua história, o setor enfrentou desafios que colocaram em risco sua continuidade e exigiram respostas rápidas da pesquisa científica.</p>
<p>Um dos episódios mais marcantes ocorreu entre as décadas de 1930 e 1950, quando a chamada Tristeza dos Citros causou a morte de cerca de 20 milhões de plantas na América do Sul. Na época, não se conhecia a causa da doença, e diversas hipóteses foram levantadas, desde problemas ambientais até a ação de microrganismos.</p>
<p>Foi somente com o avanço das pesquisas que se identificou um vírus como responsável pela doença, transmitido pelo pulgão preto dos citros. Além disso, descobriu-se que o problema estava diretamente relacionado ao uso de um único tipo de porta-enxerto, a laranja azeda, que era suscetível à doença.</p>
<p>A solução veio a partir da pesquisa científica. Em 1955, o pesquisador Sylvio Moreira demonstrou que o uso do limão Cravo como porta-enxerto poderia evitar a doença, por ser resistente ao vírus. Essa mudança foi decisiva para a recuperação da citricultura brasileira e marcou um dos primeiros exemplos claros de como a ciência pode transformar a produção agrícola.</p>
<h3 class="wp-block-heading">A citricultura atual: produção, desafios e transformação</h3>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-7853 alignleft" src="https://inct.iac.sp.gov.br/wp-content/uploads/2026/05/plantacao-04-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" srcset="https://inct.iac.sp.gov.br/wp-content/uploads/2026/05/plantacao-04-300x225.jpg 300w, https://inct.iac.sp.gov.br/wp-content/uploads/2026/05/plantacao-04.jpg 600w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" />Em 2026, a citricultura brasileira continua sendo uma das mais relevantes do mundo, especialmente no mercado de suco de laranja, onde o país responde por cerca de 70% a 75% do comércio global. No entanto, o cenário atual é marcado por uma série de desafios que impactam diretamente a produção.</p>
<p>A safra 2025/26 foi encerrada com uma produção de 292,94 milhões de caixas no cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro. Esse volume representa um aumento em relação à safra anterior, mas ainda abaixo da projeção inicial, refletindo a influência de fatores climáticos e fitossanitários.</p>
<p>O déficit hídrico ao longo do ciclo produtivo, com chuvas cerca de 13% abaixo da média histórica, afetou o desenvolvimento dos frutos. Além disso, a maior permanência dos frutos nas árvores aumentou a taxa de queda, que atingiu 23,2% no cinturão citrícola. Parte significativa dessa perda está associada ao greening, que sozinho respondeu por 13% da queda total.</p>
<p>O greening, também conhecido como HLB, é hoje o principal desafio fitossanitário da citricultura. Causado por uma bactéria e transmitido por um inseto vetor, ele não possui cura e exige medidas rigorosas de controle. Dados recentes indicam que a incidência da doença atingiu níveis próximos de 48% em 2025 no cinturão citrícola.</p>
<p>O manejo envolve o uso de mudas sadias, a eliminação de plantas doentes e o controle do inseto vetor. Essas ações, embora necessárias, geram impactos econômicos e operacionais, afetando a sustentabilidade da atividade.</p>
<p>Além das doenças, outros fatores vêm ganhando importância. O aumento das temperaturas, períodos mais frequentes de seca e mudanças no regime de chuvas têm alterado o ambiente de produção. Ao mesmo tempo, o setor precisa se adaptar a novas exigências relacionadas à sustentabilidade, como redução de emissões, uso eficiente de recursos e certificações ambientais.</p>
<p>Paralelamente, a citricultura passa por uma transformação interna. Uma nova geração de produtores e gestores vem adotando uma abordagem mais orientada a dados, gestão de risco e eficiência. Esse movimento reforça a necessidade de integrar conhecimento científico com aplicação prática no campo.</p>
<h3 class="wp-block-heading">O papel da ciência e a importância da integração</h3>
<p><img decoding="async" class="alignright size-medium wp-image-7838" src="https://inct.iac.sp.gov.br/wp-content/uploads/2026/05/IAC-cordeiropolis-201-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" srcset="https://inct.iac.sp.gov.br/wp-content/uploads/2026/05/IAC-cordeiropolis-201-300x200.jpg 300w, https://inct.iac.sp.gov.br/wp-content/uploads/2026/05/IAC-cordeiropolis-201.jpg 600w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" />Diante desse cenário, a pesquisa científica se torna ainda mais central para o futuro da citricultura. Nos ciclos anteriores do INCT Citros, avanços importantes foram alcançados em áreas como melhoramento genético, biotecnologia, fisiologia vegetal e proteção de plantas.</p>
<p>Novas variedades começaram a ser desenvolvidas, o entendimento sobre doenças foi ampliado e tecnologias promissoras passaram a ser exploradas. No entanto, um desafio permanece: como transformar esse conhecimento em soluções que cheguem efetivamente ao campo e gerem impacto real na produção.</p>
<p>É justamente nesse ponto que o INCT Citros III se posiciona. O projeto foi estruturado para integrar diferentes áreas do conhecimento e superar abordagens isoladas. Ao conectar genética, fisiologia e proteção de plantas, busca desenvolver soluções mais completas, capazes de responder à complexidade dos desafios atuais.</p>
<p>Outro aspecto central é o compromisso com a validação em campo. As tecnologias desenvolvidas não ficam restritas ao laboratório, mas são testadas em condições reais, garantindo sua aplicabilidade e relevância para os produtores.</p>
<p>Essa abordagem integrada também envolve a construção de uma rede colaborativa, reunindo pesquisadores de diferentes instituições e promovendo a cooperação entre ciência, setor produtivo e outros atores da cadeia.</p>
<h3 class="wp-block-heading">Um setor estratégico para o Brasil</h3>
<p>A citricultura não é apenas uma atividade agrícola. Ela representa um setor estratégico para o Brasil, com impacto econômico, social e ambiental. Sua relevância no comércio internacional, especialmente no mercado de suco de laranja, reforça a necessidade de manter a competitividade e a capacidade de adaptação do país.</p>
<p>Em um contexto global cada vez mais exigente, questões como sustentabilidade, eficiência produtiva e inovação tecnológica passam a influenciar diretamente o acesso a mercados e a formação de preços. Isso amplia ainda mais o papel da ciência na construção de soluções que atendam a essas demandas.</p>
<p>Ao mesmo tempo, o histórico da citricultura mostra que os grandes avanços do setor sempre estiveram ligados à pesquisa. Desde o controle da Tristeza dos Citros até os desafios atuais com o greening, a ciência tem sido um elemento central na superação de crises e na construção de novos caminhos.</p>
<h3 class="wp-block-heading">INCT Citros III: ciência conectada ao futuro da citricultura</h3>
<p>O INCT Citros III nasce nesse contexto como uma resposta estruturada aos desafios da citricultura contemporânea. Mais do que gerar conhecimento, o projeto busca transformar ciência em soluções aplicadas, contribuindo para uma produção mais resiliente, sustentável e competitiva.</p>
<p>Sua proposta de integração entre diferentes áreas e o foco na aplicação prática reforçam seu papel como um projeto estratégico para o setor. Ao mesmo tempo, o instituto contribui para a formação de uma visão mais ampla sobre a citricultura, conectando pesquisa, produção e sociedade.</p>
<p>A trajetória da citricultura brasileira mostra que o futuro do setor está diretamente ligado à capacidade de inovar e de integrar conhecimento. Projetos como o INCT Citros III representam um passo importante nessa direção.</p>
<p>Acompanhar esse movimento é também uma forma de entender como a ciência está sendo construída e aplicada para enfrentar desafios reais. É nesse encontro entre pesquisa e prática que se desenham os próximos capítulos da citricultura brasileira.</p>
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